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Telemig suspende compra da CTBC
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O processo de venda da CTBC Celular para a Telemig Celular, anunciado em agosto, está suspenso. A informação é do grupo Algar, que controla a CTBC. O presidente da Telemig, João Cox, evitou ontem falar sobre o assunto, alegando que o acordo de compra tem cláusula de confidencialidade.
O executivo não explicou por que a compra da CTBC - esperava-se que seria concluída até setembro - não foi fechada. "Estamos analisando. No momento oportuno, vamos tomar a decisão adequada", disse, em entrevista à imprensa.
Cox disse, no entanto, que a Telemig está disposta a fazer aquisições, e não descartou a possibilidade de olhar para fora do segmento de telefonia móvel. "A gente está querendo comprar ativos. O problema é que eles estão sumindo", disse, referindo-se à consolidação no setor. "Temos dinheiro sobrando em caixa."
Paralelamente, o Opportunity conseguiu consolidar sua posição de controlador da Telemig e da Amazônia Celular. Nesta semana, a Anatel autorizou a compra da fatia da TIW na TPSA (que indiretamente faz parte da estrutura societária da operadora) pela Highlake, empresa do banco. A aquisição havia sido anunciada no fim de março.
Fundos do Opportunity passam a deter 76% da Telpart, controladora da Telemig. Por meio da assessoria de imprensa, o banco informou que nada muda na gestão da companhia.
O processo foi encaminhado pela Anatel ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Segundo o órgão regulador, o procedimento é praxe em qualquer aquisição no setor.
O analista do ING Josh Milberg afirmou que a elevação da fatia do Opportunity na Telemig pode ser uma forma de preparar a venda da operadora, movimento esperado há mais de ano pelo mercado. A Vivo e a Claro são apontados por analistas como os mais fortes candidatos à compra.
"O movimento tem muitas implicações. Os fundos de pensão que compõem a estrutura acionária da Telemig vão ficar mais isolados", disse Jacqueline Lison, da Fator Doria Atherino.
A Previ, com quem o Opportunity trava uma disputa na Brasil Telecom, é um dos fundos que indiretamente investem na Telemig Celular.
A empresa, maior operadora de telefonia móvel de Minas Gerais, fechou o terceiro trimestre com lucro de R$ 50,1 milhões, revertendo o prejuízo de quase R$ 4 milhões que contabilizou no mesmo período do ano passado. Nos nove primeiros meses de 2003, o resultado foi positivo em R$ 140 milhões.
A operadora chegou ao fim de setembro com caixa líquido de R$ 117 milhões. Segundo Cox, essa situação dá tranqüilidade à empresa para fazer aquisições e investir em tecnologia quando achar oportuno.
O executivo disse que a companhia está avaliando propostas de fornecedores para bater o martelo no programa de migração tecnológica. A Telemig opera em TDMA, sistema mais limitado para serviços de dados, enquanto suas duas concorrentes mineiras - Oi e TIM - oferecem tecnologia GSM. "Temos dinheiro para fazer não uma, mas várias migrações", disse ele.
No balanço apresentado ontem, a Telemig mostrou um fluxo de caixa livre de R$ 289 milhões.
No fim de setembro, a Telemig Celular tinha 2,17 milhões de clientes e 60% de participação no mercado mineiro. A base cresceu 20% desde o terceiro trimestre de 2002 e 7% em comparação com o fim de junho.
Segundo o presidente da empresa, o aumento do número de assinantes e do gasto médio explica o resultado do trimestre.
Para o analista Rodrigo Pereira, do Pactual, o desempenho da companhia foi muito bom. "O mercado está difícil e, mesmo assim, a Telemig conseguiu conquistar mais clientes no pós-pago", observou.
Milberg, do ING, também considerou "bastante bons" os números da operadora. "A Telemig continua sendo a melhor em lucratividade", avaliou.
A Amazônia Celular empresa que atua na região Norte, teve lucro de R$ 139 mil no terceiro trimestre depois de ter registrado prejuízo de R$ 2,4 milhões nos três meses anteriores.
Matéria de Talita Moreira e Ivana Moreira
Retirada do site Valor Online
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